Esperando com Fé
Lembrando de um importante aprendizado com Nina.
Hoje, minha filha Nina completaria 14 anos. Ela “nasceu” no dia 27 de fevereiro de 2012.1 Alguns meses antes do parto, ainda durante a gestação, Karen e eu recebemos a notícia de que ela tinha síndrome de Patau. De repente, a expectativa alegre da gravidez foi atravessada por palavras médicas difíceis, estatísticas frias e prognósticos sem esperança. O chão parecia ter mudado de lugar.

Aquela não foi apenas uma espera biológica de nove meses. Foi uma espera espiritual. Espera por respostas que não vinham. Espera por um milagre que poderia ou não acontecer. Espera por um desfecho que não estava em nossas mãos. E, pela graça de Deus, não fomos impacientes. Não porque fôssemos fortes, mas porque fomos sustentados. Deus nos ensinou, naquela estação, que paciência não é passividade. É confiança ativa na soberania de um Pai que sabe o que faz.
Todos os anos sou lembrado de que a história da redenção não é construída sobre vidas organizadas e cronogramas cumpridos. É construída sobre espera, lágrimas e promessas que parecem tardar. A linhagem do Messias atravessa mulheres que conheceram a dor da infertilidade, da rejeição e do silêncio de Deus.
Sara esperou vinte e cinco anos pelo filho prometido. Vinte e cinco anos lidando com a vergonha de ser chamada estéril. Rebeca esperou vinte anos sem sequer ter uma promessa específica para se apegar. Lia viveu ansiando pelo amor do marido, desejando ser escolhida e vista. Tamar vestiu roupas de viúva por anos, aguardando uma justiça que parecia não chegar. E, no entanto, é justamente nesse terreno cheio de buracos e ervas daninhas que Deus escreve Sua história de redenção.
Isso recalibra nossas expectativas. Muitas vezes supomos que, se estamos andando com Deus, nossa vida será tranquila, sem trancos e barrancos, previsível e bonita aos olhos de todos. Mas as Escrituras mostram que Deus costuma agir no meio do que, para nós, é muito confuso. Ele trabalha através daquilo que jamais escolheríamos.
Nossa espera por Nina nos inseriu nessa realidade. Não sabíamos quanto tempo teríamos com ela. Não sabíamos como seria o parto. Não sabíamos como terminaria aquela história. Mas sabíamos quem estava escrevendo cada linha. E isso fez toda a diferença.
Ao pensar nisso, meu coração se volta especialmente para mulheres que têm esperado por um filho e ainda não o receberam. Algumas esperam há meses. Outras, há anos. Algumas carregam promessas médicas frustradas. Outras, silenciosamente, lidam com perguntas que ninguém vê. A espera pode parecer desperdício. Pode parecer atraso. Pode parecer abandono.
Mas a Bíblia nos ensina que esperar nunca é inútil quando estamos nas mãos de Deus. A paciência cristã não é aceitar as coisas com amargura. É esperança enraizada no caráter de Deus. É crer que Ele continua sendo bom mesmo quando o ventre permanece vazio. É descansar na certeza de que a fidelidade dEle não é medida pela rapidez das respostas.
Em 2 Coríntios 4.7 lemos que temos um tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não nossa. A espera revela nossa fragilidade e expõe nossa incapacidade de controlar o futuro. Ao mesmo tempo, a espera torna visível a força de Deus sustentando corações que poderiam ter desmoronado.
A história da redenção culmina em Cristo, que também veio no tempo certo, não no tempo esperado pelos homens. Houve séculos de silêncio entre o Antigo e o Novo Testamento. Séculos em que parecia que nada estava acontecendo. Mas Deus estava preparando cada detalhe.
Talvez sua vida hoje não esteja “arrumada”. Talvez você esteja esperando por algo que parece essencial. Um filho. Uma cura. Uma reconciliação. Uma resposta. A espera dói. Eu sei. Nós sabemos. Mas a espera, quando vivida pela fé, também nos molda.
Paciência não é passividade, mas uma confiança ativa na soberania de um Pai que sabe o que faz.
Nossa história com Nina não terminou como primeiro desejávamos, mas terminou com paz e com a convicção de que descansar na soberania de Deus é um excelente caminho de satisfação. Não é um caminho fácil. Mas é um caminho seguro.
Esperar com fé não é acreditar que tudo dará certo segundo nossos planos. É crer que tudo está nas mãos certas. Um dia veremos que Deus estava escrevendo uma história melhor do que aquela que teríamos escolhido; sempre é assim. Até lá, a paciência floresce quando confiamos que o Autor não erra.
Se você está esperando, não desista. Sua espera não é desperdiçada. Deus está presente nela. E, mesmo quando o resultado não corresponde ao seu sonho, Ele continua sendo suficiente.
Bibliografia
Vaneetha.com - When Waiting Feels Wasted
Perguntas para reflexão:
Você conhece alguma mulher que deseja engravidar e tem enfrentado essa espera com dor? De que maneira prática e amorosa você pode se aproximar, ouvir, orar e caminhar ao lado dela, em vez de oferecer respostas rápidas ou comparações insensíveis?
Em qual área da sua vida hoje você está achando mais difícil esperar, e o que essa dificuldade revela sobre sua confiança no tempo e na soberania de Deus?
Recomendação de Livro
Uso a palavra nasceu entre aspas porque, embora seja comum chamar de nascimento o momento em que o bebê é parido, creio que a vida de Nina não começou naquele dia. Ela já estava viva desde a concepção, crescendo no ventre de sua mãe, conhecida e formada por Deus. O dia 27 de fevereiro marcou sua chegada aos nossos braços. Mas seu verdadeiro início, diante de Deus, aconteceu cerca de nove meses antes.


